sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Workshop em Joinville

Este post é só p/ dar água na boca:

Seguindo as boas experiências do ano passado, em Blumenau e Pomerode, muito em breve, a ACervA Catarinense promoverá o primeiro Workshop e Encontro de Cevejeiros Artesanais deste ano, previsto para o mês de maio (data a confirmar) em Joinville, Litoral Norte de Santa Catarina. Desde já, estão todos convidados a participar!

Daremos um clima de Stammtisch ao evento, com barracas e atrações diversas. Queremos proporcionar uma oportunidade ímpar para a confraternização e troca de conhecimento, tanto aos iniciantes, quanto aos mais experientes!

Nossos amigos Ivan G. Steinbach e Diogo Züge, vencedores da última edição do Concurso Mestre-Cervejeiro Eisenbahn conduzirão o workshop, produzindo uma leva ao vivo junto com os participantes. Para convencer a turma de que vale a pena, degustaremos uma leva da mesma cerveja, produzida antecipadamente!

Quem apoiará o evento é a OPA Bier, microcervejaria da cidade! Realizaremos o evento junto à fábrica e o mestre-cervejeiro, Elmar Schmitz irá conduzir visitas guiadas pela fábrica, explicando o processo de produção em uma microcervejaria.

O Iron Mendes e a sua BrazilWays, por sua vez, também estarão presentes expondo alguns de seus equipamentos orientados especialmente aos cervejeiros artesanais, bem como com os kits de extrato da Muntons, um dos quais nós vamos produzir juntos, simultaneamente a nossa produção all grain. Um segundo kit será para sorteio entre os participantes!

Mais adiante divulgaremos outras informações, como a data definitiva, valores, e detalhes da nossa programação. Portanto, reforçamos o convite para que todos se programem e venham brindar conosco mais um belo evento da nossa ACervA Catarinense!

Fiquem ligados no blog da Gräbenwasser!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Gräbenwasser MalzBrot


Final de semana, você acabou de fazer a sua cerveja caseira. Já colocou a bendita para fermentar e agora vai começar a limpar a bagunça que fez (se usou a cozinha da sua esposa, é melhor agir rápido!). Ao olhar para todo aquele malte que foi usado na mostura, você pensa: “Quanto desperdício jogar isso fora!”. Mas nós da Gräbenwasser estamos aqui para salvar você!

O bagaço que sobra da mostura pode ser utilizado para várias coisas, como alimentar animais, secar e usar como serragem na defumação de malte caseiro, ou então fazer pães.

Já que a última alternativa é a mais interessante de todas, vamos mostrar como nós fazemos nosso pão de malte caseiro (ou MalzBrot). A receita que colocamos aqui já está aprovada por todos que provaram o dito pão. Fica realmente muito saboroso e é muito fácil de fazer, com ingredientes simples.

Uma observação: a não ser que você tenha uma padaria, não vai ter como utilizar todo o malte que sobrou de uma vez só. Afinal, 5 kg de malte úmido é muita coisa! O que fazemos neste caso é deixar pequenas quantidades previamente separadas para fazer o nosso pão.

Logo após terminar a produção de cerveja, embalamos o bagaço do malte em sacos plásticos com 300gr cada um. Cada pacote é suficiente para 1 pão grande. Depois congelamos os pacotinhos. Congelados eles duram um ano tranquilamente. Esta medida é bem prática, pois sempre que quiser fazer um pãozinho, descongele o malte previamente.

Alerta: cuidado para não confundir o malte congelado no seu freezer com carne moída! Dependendo do tipo do malte usado na cerveja, o bagaço congelado fica bem parecido com carne moída congelada. Melhor usar etiquetas para identificar...

Vamos à receita:

Gräbenwasser MalzBrot (Pão de Malte da Gräbenwasser)

300gr de malte de cevada moído (bagaço)
800gr de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de mel
1 sachê (ou 1 colher sopa rasa) de fermento biológico seco
1 colher rasa (sopa) de sal
350ml de leite
1 colher (sopa) de banha (ou margarina)

Em uma bacia misture todos os ingredientes com as mãos até que forme uma massa homogênea. Daí amasse bem por no mínimo 10 minutos.
Cubra com um pano seco e limpo e deixe a massa descansar por no mínimo 1 hora. Amasse novamente e coloque em forma para pão untada com óleo.
Cubra com um pano novamente e espere crescer bem (cerca do dobro do tamanho).
Se desejar, antes de ir ao forno pode-se pincelar 1 ovo batido sobre o pão para deixá-lo bem dourado.
Asse em forno alto (250ºC) por 45 minutos.
Logo que retirar do forno, desenforme e mantenha sobre uma superfície arejada para não suar a parte de baixo do pão.

O resultado é este que você viu no início do deste artigo (foto). Um pão com a casca crocante, macio por dentro e muito saboroso. O aroma é muito bom. Quando fizemos da última vez, a vizinhança veio perguntar de onde vinha o cheiro bom!

Qualquer dúvida, entre em contato com nosso mestre-cervejeiro-padeiro!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Gräbenwasser é campeã!

A maioria dos nossos amigos que acessam o humilde blog da Gräbenwasser já deve saber que a nossa receita de Robust Porter, a Joinville Porter, se saiu campeã do II Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn no último dia 11.


Assim que possível vamos colocar alguns detalhes e fotos de como foi nossa ida até São Paulo para o evento de premiação, os "figuras" que conhecemos pessoalmente e a alegria de ganhar este prêmio.

Mas, o mais importante: esperamos que este prêmio sirva de incentivo para que outros se animem a produzir cerveja em casa. Afinal, se nós podemos fazer uma cerveja que seja considerada boa por jurados do quilate dos que participaram do concurso, qualquer um pode fazer também.

Um abraço e até breve!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mestre Cervejeiro Eisenbahn - Gräbenwasser na final!


É com grande satisfação que recebemos a notícia de que a Gräbenwasser está entre as 6 cervejas finalistas do II Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn.

Recebemos a notícia através do nobre colega Roberto Fonseca, que foi um dos jurados do concurso. Inclusive ele nos forneceu alguns detalhes de como foram as degustações, conforme pode ser conferido AQUI.


Para quem começou a fazer cerveja há um ano e fez relativamente poucas brassagens, estamos muitíssimo contentes com a indicação. Só vem reforçar que boas cervejas podem ser feitas por qualquer um e esperamos que sirva de incentivo para mais pessoas se aventurarem neste hobby muito recompensador.


A divulgação do grande vencedor será na quinta-feira (11/12/2008), em São Paulo. Vamos esperar para ver se vem mais boas notícias por aí...

Lista dos finalistas, por ordem de número de inscrição:

- Luis Antônio Teixeira - SP
- Ivan Guilherme Steinbach (e Diogo Züge, claro!) - SC
- Edigyl Pupo - PR
- Leonardo Botto - RJ
- Vitor Luis da Silva - SP
- Marcio Lopes Motta - RJ

Abaixo o comunicado oficial:

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um ano de Stout

A primeira cerveja que fizemos "pra valer" foi uma oatmeal stout. Esta cerveja foi inclusive enviada para o concurso da Eisenbahn (curiosidade: ficamos em 7º lugar). Como não saiu bem do jeito que gostaríamos resolvemos que nossa segunda leva seria a mesma cerveja, só que com algumas alterações para melhorá-la.

Esta segunda leva ficou bem melhor e foi inclusive avaliada pelo amigo Roberto Fonseca, do Latinhas do Bob (o resultado pode ser conferido aqui).

Como experiência, resolvemos guardar um exemplar desta segunda leva para ver como o tempo agiria na cerveja. Eis que chegou a hora de prová-la, um ano depois de produzida. Esta oatmeal stout foi feita em 16/11/2007 e foi aberta agora, no dia 21/11/2008.

Será que estaria estragada? Vejam a foto da dita aqui embaixo:

Já ao abrí-la, era perceptível que tudo estava certo com ela. Pudemos notar que por ter baixo teor alcoólico, corpo e IBU, o envelhecimento não é muito favorecido nesta cerveja. Parece que os sabores foram levemente atenuados, ficando mais suaves do que nos primeiros meses pós-engarrafamento.

Também foi notável um leve sabor de oxidação, devido à exposição (mesmo que pouca) à luz. Mas outras coisas se aprimoraram: a espuma ficou mais consistente e com bolhas menores, e na boca ficou com um final mais seco.

Ela estava muito saborosa ainda, mas com certeza estava melhor depois de uns 2 meses de engarrafamento. Mas valeu a experiência!

Na fila de "cervejas velhas" está uma American Pale Ale e uma Fruit Beer feita com Amoras Pretas que foram fabricadas em Janeiro. Aliás, a última American Pale Ale desta leva que abrimos no mês passado estava "ignorante" de tão boa!

Caso alguém queira, segue abaixo a receita da nossa Oatmeal Stout batizada de "Canário Negro":

Maltes:
- Vienna (Weyermann) - 25,3%
- Munich (Weyermann) - 6,3%
- Carahell (Weyermann) - 6,3%
- Carafa III (Weyermann) - 10,1%
- Pilsen (Agromalte) - 44,3%
- Aveia em Flocos (Quaker) - 7,6%
Lúpulos:
- Galena - 12gr (50 minutos)
- Mount Hood - 7gr (20 minutos)
- Mount Hood - 8gr (5 minutos)
Levedura:
- US-05 (Fermentis) - 1 sachet

A mostura foi feita em temperatura de 66ºC por uma hora. O resultado foram 18 litros de cerveja.

Esta cerveja foi marcante para nós, pois foi a primeira e também é de um estilo que apreciamos muito. Foi muito legal bebê-la e relembrar o que aconteceu durante o último ano...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Joinville Porter - o resultado

Após 3 semanas de fermentação e 2 semanas na garrafa, a nossa Porter começou a se revelar. Ontem abrimos uma "amostra", e pudemos ver que o resultado ficou excelente.

Abaixo algumas fotos tiradas com celular.




Acredito que essa foi uma das poucas cervejas em que o resultado final ficou do jeito que gostaríamos em todos os aspectos: aroma, sabor, cor, espuma, carbonatação, e assim por diante.
A espuma ficou ótima, bem cremosa e persistente. O aroma é muito bom, com notas de torrado e lúpulo. A carbonatação está relativamente baixa, como pede o estilo (ah, primming feito com açúcar mascavo). O sabor do malte torrado está bem equilibrado com o lúpulo e o dulçor do malte caramelo. O final é levemente adocicado.
Está com bom corpo, mas muito fácil de beber. Agora seremos OBRIGADOS a tomar uma de vez em quando para ver como ela se desenvolve...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uso do Densímetro - Estimando o percentual de álcool da cerveja

Uma dúvida freqüente dos cervejeiros iniciantes é quanto ao uso do densímetro na fabricação da cerveja caseira, principalmente no que diz respeito à estimativa do percentual de álcool gerado (ABV). Afinal, de que adianta fazer cerveja se não vai ser possível saber quanto de álcool tem nela? Neste artigo vamos tentar explicar como utilizar este equipamento tão útil ao cervejeiro caseiro.

O densímetro é um equipamento relativamente simples e que serve para medir a densidade (ou massa específica) de determinada solução. Em outra palavras, mede a diferença entre a densidade da solução e a densidade da água pura. No caso do cervejeiro caseiro, mede-se a quantidade de açúcar diluído na solução. A água pura possui densidade de 1.000. Quanto mais açúcar diluído na água maior a sua densidade e, portanto, maior a sua leitura através do densímetro. O densímetro mais utilizado pelos cervejeiros caseiros é o de graduação entre 1.000 e 1.100, o que permite fazer a leitura de cervejas com alto potencial alcoólico (quase 12%).



Este é um equipamento essencial ao cervejeiro caseiro, pois pode fornecer vários dados importantes tais como avaliar a eficiência na extração de açúcares do malte durante a brassagem, estimar o percentual aproximado de álcool da cerveja e analisar a atenuação do mosto durante a fermentação.


Para usar o densímetro, normalmente é necessária também a utilização de uma proveta. A proveta nada mais é do que um tubo de vidro ou plástico transparente, geralmente com marcação de volume na parte externa. A maioria das provetas usadas pelos cervejeiros é de 250ml de capacidade, o que evita que se desperdice muito líquido precioso para a medição.

Para estimar o percentual de álcool de sua cerveja através do densímetro é necessário obter duas informações: Gravidade Original (OG) e Gravidade Final (FG).

A leitura da OG é feita logo após o mosto ser resfriado e antes de ter o fermento adicionado. Basta encher a proveta até um pouco menos do que sua capacidade total e colocar o densímetro dentro. Assim que o densímetro estabilizar no líquido, veja qual a marcação que está na linha do líquido. Esta é a sua OG. Guarde esta informação.

A leitura da FG somente será realizada após o término da fermentação do mosto e antes de ser carbonatada. Se for engarrafar usando primming, faça a leitura antes de adicionar o açúcar ou solução do primming. Novamente, encha a proveta até um pouco menos do que sua capacidade total e coloque o densímetro dentro. Faça a leitura da marcação que está na linha do líquido. Esta é sua FG.

A diferença entre a OG e a FG é a quantidade de açúcar que foi consumido pelas leveduras. Neste momento, o açúcar foi convertido basicamente em álcool e gás carbônico. Para saber quanto de álcool aproximadamente a fermentação produziu através da conversão dos açúcares, basta aplicar os valores lidos em fórmula.

Várias fórmulas são encontradas para estimar o percentual de álcool, e cada uma delas apresenta um valor ligeiramente diferente. Isto não é tão relevante, pois o que interessa ao cervejeiro caseiro é fazer uma estimativa do teor alcoólico. Independente da variação, o resultado é satisfatório para fins de análise “caseira”. Para se obter o percentual de álcool exato são necessárias análises bem mais complexas (e caras!) do que o simples densímetro.

Segue abaixo 3 fórmulas que acreditamos que sejam as mais difundidas:

1° – ABV = (OG-FG) * 131
2° – ABV = ((OG-FG) / 0,75) * 100
3° – ABV = (OG-FG) / 0,00738


Para avaliar a pequena variação entre as fórmulas, vamos aplicar uma OG de 1.052 e uma FG de 1.010:

1° – ABV = ( 1.052 – 1.010) * 131 -> 5,50%
2° – ABV = (( 1.502 – 1.010) / 0,75 ) * 100 -> 5,60%
3° – ABV = ( 1.052 – 1.010) / 0,00738 -> 5,69%

Veja que a variação é relativamente pequena entre as fórmulas. A fórmula que parece ser mais utilizada é a primeira. Inclusive, pelo que observamos, é a fórmula usada pelo software BeerTools.

Importante:

- O densímetro é calibrado em uma temperatura específica (normalmente 20°C). Isto significa que o líquido a ser medido deve estar na mesma temperatura. Caso não esteja, é necessário utilizar uma tabela de correção para obter os valores corretos. Veja a tabela ao final do artigo.
- O mosto que foi utilizado para fazer a leitura não deve ser reaproveitado. Ou melhor, pode ser aproveitado para beber e ter uma idéia de como está a sua cerveja! Mas nunca coloque a cerveja de volta de onde foi retirada. Isso evitará contaminação ou eventuais problemas com sua cerveja.
- Se for utilizado primming para formação de gás, este adicionará cerca de 0,2% a 0,4% de álcool à sua cerveja – depende da quantidade que for utilizada. Logo, se através da leitura do densímetro você obteve 5,5% ABV, com primming ficará em torno de 5,8% ABV.

Tabela de correção (para densímetro calibrado a 20°C):


O valor da correção deve ser adicionado à leitura. Por exemplo, se o mosto estiver à temperatura de 30ºC e a leitura da densidade foi de 1.050, a densidade correta é 1.0525.

Esperamos que este artigo seja útil, principalmente aos cervejeiros iniciantes que muitas vezes tem dúvidas no uso deste equipamento tão importante.

Gräbenwasser
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